Pairs trading é uma estratégia de investimento market-neutral, desenhada para capturar a variação relativa entre dois ativos, independentemente da direção do mercado como um todo. A ideia é explorar desvios temporários no equilíbrio entre dois ativos “semelhantes”, como empresas do mesmo setor ou, de forma mais geral, instrumentos expostos aos mesmos fundamentos.
Esse tipo de estratégia se apoia no conceito de cointegração, que ocorre quando duas séries temporais, embora isoladamente não estacionárias (isto é, cujas propriedades estatísticas como média e variância mudam ao longo do tempo), apresentam uma combinação linear estacionária. Traduzindo: os preços podem se afastar no curto prazo, mas não divergem indefinidamente, pois existe um mecanismo de correção que tende a trazê-los de volta a um equilíbrio de longo prazo.
O gráfico desta semana ilustra um exemplo clássico, comparando os preços do Brent e do WTI. Ambos são commodities de petróleo cru, mas negociadas em mercados distintos e sujeitas a pequenas diferenças relacionadas a qualidade e logística. Apesar disso, por estarem expostos aos mesmos choques globais de oferta e demanda, é natural que apresentem comportamento semelhante ao longo do tempo.
Quando o spread, isto é, a diferença entre os preços, se distancia de forma relevante de sua média histórica, é possível estruturar uma operação long & short para capturar o movimento de convergência. Compra-se o ativo relativamente mais barato e vende-se o relativamente mais caro, buscando o retorno do diferencial a níveis mais próximos do padrão histórico.
Observa-se no gráfico que, embora os preços de ambos os ativos tenham apresentado tendência de queda nos últimos quatro anos, o spread permaneceu oscilando em torno de sua média, representada pelo nível zero na série normalizada pelo z-score, no eixo direito.
Ainda assim, é importante destacar que a estratégia não elimina riscos. A cointegração observada no passado não garante que a relação se manterá no futuro. Mudanças estruturais no mercado ou choques extremos podem alterar a dinâmica entre os ativos e provocar desvios mais persistentes e amplos do que o usual.

