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View of the Week – El Niño e seus efeitos na produção agrícola brasileira

28 setembro 2026

Quando as águas do Pacífico equatorial ficam mais quentes do que o normal, os padrões de chuva e temperatura se alteram em diversas regiões do mundo – esse é o fenômeno conhecido como El Niño. La Niña, por sua vez, corresponde ao movimento inverso, caracterizado pelo resfriamento dessas águas. Como esses fenômenos não seguem ciclos regulares, seu acompanhamento depende de indicadores climáticos. Uma das principais referências é o Relative Oceanic Niño Index (RONI), que mede desvios da temperatura na superfície do mar em relação à sua média.

O gráfico desta semana apresenta a evolução do RONI desde 1950, com os trechos em laranja indicando leituras superiores a 0,5°C (associadas ao El Niño) e os trechos em verde indicando leituras inferiores a -0,5°C (associadas à La Niña). Vale destacar que o reconhecimento de um episódio exige que o índice permaneça além dos respectivos limiares por cinco trimestres móveis consecutivos. Após um 2025 marcado pela ocorrência de La Niña, o RONI já se aproxima de 1,0°C, e a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) projeta que o índice permaneça em território de El Niño até meados de 2027.

Nesse contexto, o Banco Central publicou um boxe no último Relatório de Política Monetária avaliando os efeitos esperados desses fenômenos sobre a produtividade das principais culturas agrícolas do país. Os resultados sugerem que, apesar de efeitos bastante heterogêneos entre regiões e safras, o El Niño representa um risco adicional para o desempenho do setor agropecuário, afetando mais negativamente a produção de milho, algodão e arroz.

Vale a ressalva de que o histórico disponível é relativamente curto e contempla poucos episódios de alta intensidade, de forma que essas estimativas devem ser lidas mais como um indicador de risco do que como uma previsão para a próxima safra.

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