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View of the Week: A alta do Brent no ano já é a maior da série histórica

23 março 2026

Os preços internacionais do petróleo registraram forte alta a partir de março, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. Apenas nos primeiros 20 dias do mês, o Brent acumula valorização superior a 50%. No ano, a alta já chega a 84,4%, a maior para esse período desde o início da série histórica, nos anos 1980, conforme ilustra o gráfico desta semana.

O movimento reflete, sobretudo, o risco de interrupção prolongada do fluxo marítimo no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto da oferta global da commodity. Adicionalmente, a possibilidade de danos mais persistentes à infraestrutura energética eleva os riscos de cauda, em um cenário cuja magnitude potencial é comparável, e possivelmente superior, à observada nos choques do petróleo da década de 1970.

Os impactos tendem a ser heterogêneos entre as economias. Regiões mais dependentes da importação de energia, como partes da Europa e da Ásia, devem ser mais afetadas, enquanto países com maior grau de autossuficiência, como Estados Unidos e Brasil, apresentam menor sensibilidade relativa. Ainda assim, o efeito agregado é tipicamente estagflacionário, combinando pressões inflacionárias com desaceleração do crescimento global.

Nesse contexto, observa-se uma reprecificação relevante nos mercados de juros, com redução das apostas em cortes e, em alguns casos, a incorporação de cenários de retomada do aperto monetário, como evidenciado no Reino Unido e na Zona do Euro.

Por outro lado, permanece elevada a incerteza quanto à materialização dos riscos atualmente precificados. A reação recente dos mercados a comunicações das lideranças envolvidas no conflito reforça que pequenas mudanças nas probabilidades atribuídas aos cenários podem gerar ajustes expressivos nos preços dos ativos globais.

 

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