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View of the Week – O que está por trás do endividamento das famílias

24 agosto 2026

A deterioração da qualidade do crédito, sobretudo nas linhas destinadas às famílias, tem ganhado espaço no noticiário brasileiro. O endividamento das famílias voltou a crescer nos últimos dois anos, após um breve período de moderação entre 2022 e 2024, e atingiu a máxima histórica de 49,93% em janeiro. Os dados mais recentes mostram que a medida permanece praticamente estável desde então, situando-se em 49,83% em maio.

O aumento do endividamento sempre demanda alguma cautela, especialmente quando já se encontra em níveis historicamente elevados, mas é importante compreender também sua decomposição. A métrica corresponde à razão entre o estoque de dívidas das famílias e a renda acumulada nos últimos 12 meses. O gráfico desta semana apresenta a variação anual dessas duas séries, ambas deflacionadas pelo IPCA, além da própria evolução da taxa de endividamento.

A leitura do gráfico sugere que a dinâmica recente está mais associada à desaceleração do crescimento da renda do que a uma aceleração do estoque de dívida, ainda que este continue crescendo em ritmo elevado. Esse padrão parece consistente com os efeitos esperados de uma política monetária contracionista, que tende a moderar a atividade econômica e, consequentemente, o crescimento da renda. Ainda assim, a diferença entre as taxas de crescimento da dívida e da renda não parece particularmente elevada quando comparada ao histórico da série.

O aperto no orçamento das famílias não ocorre sem riscos. No entanto, caso esse processo de moderação da renda e do crédito prossiga de forma gradual, a menor pressão sobre a demanda agregada pode contribuir para a convergência da inflação à meta, favorecendo a condução da política monetária pelo Banco Central.

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